Budapeste: a contadora de histórias

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A Hungria já viu de tudo. Duas guerras, diversos regimes de governo e sua independência em xeque mate mais vezes que se pode contar. Se fosse uma pessoa, poderia dizer que é uma das maiores contadoras de historia que já conheci e esse contexto histórico te ajuda muito entender o que a Hungria é hoje.
Longe do império que costumava ser, hoje é uma jóia no centro da Europa. Budapeste brilha no centro, dividida entre as margens do Danúbio entre Buda e Peste. Castelos convivem com Pubs, e mesquitas com catedrais. O bairro judaico abriga os melhores bares da cidade, com uma noite agitadíssima.
A música fervilha em todos os cantos da cidade: Ao fazer lavanderia conhecemos alguns nova-iorquinos que tocariam num show na mesma noite, e nos ofereceram dois ingressos. Fomos ao Palace of Arts pra descobrir que se tratava de John Scofield e sua banda – lendas do jazz lavavam cuecas mais cedo na mesma bimboca que a gente. Sorte? Histórias como essa são super comuns aqui.
Os banhos em piscinas naturais com água quente – explorados desde o tempo em que os turcos dominaram a região – também são uma atração obrigatória. A água que já vem quente da terra, e varia entre 18, 30, 36 e até 40º, em piscinas fechadas e abertas – com temperaturas externas que podem chegar a 5º. A Basílica de St. Stephan e o Buda Castle são de longe as atrações principais da cidade – tudo isso emoldurado pelo lindo rio Danúbio. 
A Hungria é assim. Ao cruzar com um senhor ou senhora de idade na rua, você está diante uma pessoa que viu de tudo, literalmente. Se os mais velhos soubessem falar inglês, seria um programa incrível sentar com eles e conversar simplesmente. Mas um pais como esse, em constante transformação, muda a cada instante. A Hungria de 1980 já é pré-histórica. Quem sabe o que se espera por essa nova geração? 
* Relembre um pouco das aulinhas de historia
Hoje a Hungria é membro da OCDE, OTAN, UE, do Grupo de Visegrád, e é um Estado Schengen. Pra quem não sabe, esse último significa que eles assinaram um acordo de livre circulação, abolindo-se controles de fronteiras. Lindo né? Mas nem sempre foi assim.
Em 1918 a Hungria retomava sua independência com a queda do império Austro-Húngaro, independência perdida deste 1526! Mas a alegria durou pouco. Enfraquecida, se aproximou da Alemanha nazista pra retomar territórios que havia pedido até então. Deu certo, mas por pouco tempo: Foi obrigada a declarar guerra contra a União Soviética durante a 2ª grande guerra. Após sucessivas derrotas, tentaram um acordo de paz com os aliados, mas Hitler, com medo de que mudassem de lado, ordenou a invasão da Hungria em março de 1944, rechaçando qualquer esperança. 
Com a queda da Alemanha, a Hungria ficou sobre mando de Moscou. Uma revolução em 56 aconteceu mas foi rechaçada pelas forças soviéticas. Só com a queda da cortina de ferro, já nos anos 80, foi que a Hungria conseguiu mais abertura, pra somente em 94 (já no nosso tetra), conseguir voltar ao poder e retomar sua independência. Ou seja, até a adesão à União Europeia em 2004, é justo dizer que foram quase 500 anos de luta pela sua independência.


About

O Tiago Moreira tem 34 - Nerd, ele adora punk rock, o Corinthians e a sua buldogue Mafalda. Cresceu em Tremembé, mas nasceu pro mundo. Adora lasanha e é vegetariano. Depois de 10 anos em São Paulo, decidiu arejar um pouco a cabeça e viajar!


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