California: Dicas de Los Angeles, São Francisco e East Bay

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A California é um estado riquíssimo pra conhecer. Existem várias rotas e diferentes tipos de turismo, parques de diversão pra ir com a criançada, estúdios de cinema, Grand Canyon, a cena punk, as praias e muitos parques nacionais. Aqui vão as dicas:
Nosso tempo no destino: 2 noites
Hospedagem: Couch Surfing – Dan
O Dan é um aposentado pra lá de ativo. Depois de uma carreira bem sucedida como cientista, que incluiu colocar o sistema GPS em operação no espaço, divide seu tempo com a namorada chinesa, tendo aulas na universidade de LA, recebendo viajantes e fazendo trabalhos voluntários no Camboja. A casa era uma bagunça típica de homem solteiro, só que um pouco peculiar. Um robô no meio da sala e várias garrafas d’água (em caso de terremoto) davam bem o tom do lugar. As conversas foram ótimas e o Dan foi uma excelente companhia. Além de economizarmos com as caras hospedagens em LA, conhecemos uma pessoa pra lá de interessante.
Comida: Aqui culinária do mundo todo. Mas em sua maioria fast food. É relativamente fácil pedir uma pizza ou comer um sanduíche em qualquer lugar, mas slow food e comida saudável é um pouco mais complicado. Nas zonas turísticas nós tivemos vida mais fácil.
Transporte: Os EEUU não é um país com bom transporte de longa distância. Por outro lado, alugar um carro (ou até comprar um usado) é muito mais barato que o Brasil. Para transporte local usamos ônibus e metrô, aproximadamente USD 0,70 cada, mas não é fácil se locomover por lá de transporte público.
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O que fazer: 1) Hollywood Blvd concentra a maior parte dos turistas para ver a calçada da fama, o Hollywood Bowl, o Chinese Theatre e muitos estúdios de cinema. De lá também é fácil visitar a placa na montanha “Hollywood” e visitar e o Grffith Observatory. 2) Ir pra Downtown LA é uma viagem no tempo, com edifícios antigos dividindo espaço com construções modernas como a Union Station, China Town e o Walt Disney Concert Hall3) Como o tempo era curto, corremos pra ver a hipster chique Santa Monica e a hippie relax Venice Beach– lugar onde o Schwarzenegger fazia musculação antes de ser o Mister Universo, Terminator e Governator. LA ainda tem muito a oferecer como museus e Bervelly Hills, mas por falta de afinidade e de tempo, seguimos viagem.
Walt Disney Concert Hall

Walt Disney Concert Hall

CA 3

Calçada da fama

Santa Monica vs Venice

Santa Monica x Venice

 

Tempo no destino: 5 noites
Hospedagens: 
São Francisco é caro. Muito caro. Hostels são verdadeiras fortunas e AirBnb, nem se fale. Nem camping salva aqui. Para pagar menos você tem duas opções: ficar longe do centro e pagar transporte público, ou desencanar de ranking mais altos do seu motor de buscas favorito de hostels. A maior concentração deles fica próximo a lugares de lato interesse e perto de estações de metrô, mas também próximos da maior quantidade de moradores de rua e malucos por metro quadrado. Apesar disso, até que é relativamente seguro circular por qualquer parte.
Pacific Tradewinds Hostel: USD 37,50 por quarto compartido de 6 camas. Uma área útil legal e alguma atmosfera. Os donos estão tentando profissionalizar os proprietários desse tipo de estabelecimento. Uma cozinha honesta e um banheiro compartilhado ok.
Orange Village HostelBem localizado, perto de atrações, estações de metrô e das compras. A cozinha é espaçosa e com um excelente café da manhã, com uma sala bacana, que quase criava uma atmosfera entre os viajantes. Mas o preço de USD 40 por pessoa em quarto compartido era de amargar. Uma curiosidade sobre São Francisco: a Meca da tecnologia, onde quase todas as empresas do mundo têm suas sedes, oferecem uma das piores conexões de internet da viagem. Cafés e alguns restaurantes oferecem uma conexão melhorzinha, mas a desse hostel era de dar vergonha.
Transporte: 
Dá pra ir pra qualquer parte em São Francisco usando transporte público. Além de ótimos ônibus (que não oferecem troco, ame e cuide de suas moedas), eles ainda contam com um sistema de bondinhos que fazem 3 rotas pela cidade, embora sejam mais turísticos, e portanto, mais caros. Trens e metrôs te levam pra todas as partes, incluindo cidades vizinhas e o aeroporto. O sistema de transporte se divide em: MUNI (Municipal Transit Agency) que opera bondes, ônibus, bondinhos elétricos e metrôs; BART (Bay Area Rapid Transit) que liga downtown ao East Bay. Espere pagar aproximadamente de USD 2 à 3 por passagem. Os bondinhos (cable carts), transporte vintage da cidade, são uma alegria entre os turistas e custam USD 6 por passeio ou USD 14 pelo dia inteiro. Chegue cedo pra pegar o início do circuito na Powell, especialmente nos fins de semana.
BART

BART – clique para ampliar

MUNI

MUNI – clique para ampliar

Comida: 
Tem todas as opções do mundo, mas também muito caras. Para viajar budget, como a gente, busque pelo Trader Joe’s, rede de supermercados econômica de São Francisco. A proposta deles é muito legal, porque vendem produtos, especialmente os perecíveis, de locais. Além de economizar com o transporte de longa distância desses bens, polui menos e ajuda a comunidade local. Perto da Powell comemos no Flying Falafel. Os Falafels são excelentes e baratos, atraindo multidões, mas não se assuste porque o serviço é extremamente ágil.
O que fazer:
São Francisco têm de tudo, por isso, vamos resumir ao máximo as principais atividades. 1)  Fisherman’s Whraf como o próprio nome já diz, foi o principal porto onde as pessoas viviam basicamente da pesca. Em 1906 foi destruído pelo terremoto, mas hoje abriga restaurantes excelentes, leões marinhos e ponto de partida para Alcatraz. O Pier 39 é o mais famoso e você encontra boa parte das atrações por ali. Sobre Alcatraz, vale reservar com pelo menos 2 semanas de antecedência a sua visita. Vai do interesse de cada um pelo lugar pra dizer se vale a pena, ou não. 2) O Golden Gate Park é bem legal. Impossível não fazer um paralelo com o Ibira, porque tem tudo, local para eventos, museus e mais um monte de coisas. A principal pra nós foi a entrada para a Haight & Ashbury, um cruzamento que ficou famoso pela explosão da psicodelía nos anos 60. O lugar ainda abriga muita contracultura, e nos chamou a atenção a tradicional loja de discos Amoeba. Pra qualquer aficcionado por música chorar de felicidade. 3) Chinatown é o bairro chinês mais famoso da California. Restaurantes estão por toda a parte e ainda existe um museu dedicado à sua cultura. 4) Castro é o bairro GLBT de São Francisco e dá o tom da diversidade no Estado. Destaque para o museu de história GLBT, que entre muitos coisas, conta a história de Harvey Milk – que teve sua adaptação pro cinema estrelada por Sean Penn. 5) A Golden Gate é uma das maravilhas da humanidade. Liga São Francisco à Sausalito, atravessando a baía. Construída em 1937, seus pontos mais altos atravessam a névoa da cidade dando a impressão que ela atravessa as nuvens. Atravessando a ponte, pegue a primeira saída e suba a montanha (do lado da contramão) para ter fotos privilegiadas da ponte. São Francisco também é muito mais que isso. A arquitetura é impressionante, vistas panorâmicas da cidade na Coit Tower, os Missions Murals e muito mais. Basta vir com seu passeio bem planejadinho pra não perder nada.
Golden Gate Park

Golden Gate Park

Golden Gate Park 2

Japanese Garden, no Golden Gate Park.

Amoeba

Amoeba

Pier 39

Pier 39

** Oakland
Tempo no destino: 3 noites
Hospedagens: 
Oakland fica coladinha com São Francisco e, muitas vezes, acaba sendo uma opção mais barata para viajantes que não querem pagar o preço mais alto da cidade irmã. Optamos pelo Couchsurfing aqui também. Ficamos na casa do Marcos, um cara super pacato e que, por surpresa, nos aceitou pelo Rancid escrito nas minhas preferências musicais do perfil. A (melhor) banda (de punk do mundo em atividade) é uma das várias que surgiram em East Bay, como NOFX e Green Day também. Quando falamos que éramos brasileiros ele logo disse que tinha um pet brasileiro em casa. Logo imaginamos uma cacatua ou um Fila. Mas pela nossa surpresa era uma Balboa – uma serpente venenosa de estimação. Ao todo eram 3, e dormíamos com a curiosa Angel, uma cobra branca grande que ficava pra lá e pra cá. Mas tranquilo, porque elas viviam em aquários e não tivemos que ver elas sendo alimentadas, ou quando ele as solta pela casa. Ele foi super gentil e nos levou pra cada ponto de interesse da cidade, com muita paciência e simpatia. Um super cara e anfitrião. Aquele tipo de pessoa que você se torna amigo rapidinho.
Depois seguimos pra casa de uma prima da Ju, a Thaís, que já mora nos EEUU por muitos anos. A Thaís é casada com o Kevin, um produtor musical gente boníssima que conhece o Brasil super bem, e nos receberam de braços abertos. Apesar da alimentação do americano médio ser horrível, foi com ela que tivemos a experiência de ver o outro lado da moeda. Apaixonados pelos prazeres da vida, comem bem e muito saudável. Além de dividir nossa paixão pela comida, pela música e por viagens, temos outra coisa em comum, a adoração pelos vinhos. Super atenciosa, ela pegou um dia de folga só pra levar a gente pra conhecer Sonoma Valley, uma região colada em Napa e tradicional no cultivo da bebida. Depois de degustar todo tipo de vinho na Michel Schlumberger, saímos alegres para rodar pelas plantações de uva do local com um Merlot embaixo do braço. Thais e Kevin, obrigado!
Vinícola

Vinícola

Julia e Thais

Julia e Thais

Transporte: 
O BART, que menciono acima, chega aqui também. É fácil usar o sistema de ônibus também.
Comida: 
Marcos nos apresentou para um restaurante que adoramos aqui, o Souley Vegan cozinha vegetariana deliciosa, com um cardápio bem legal de cervejas. Tudo orgânico e bem feitinho. Paga-se aproximadamente USD 10 o prato.
O que fazer: 
Oakland é bonita, e recebe esse nome por um dia ter milhares de árvores de carvalho. Vale reforçar que a criminalidade aqui cresceu muito nos últimos anos, inclusive temas de alguns filmes. Colada em Berkley, faz parte da região que abriga estúdios de cinema e empresas de tecnologia. Um exemplo de peso: A toda poderosa Pixar!
1) Jack London Square: Região hoje transformada em uma praça, leva o nome do escritor e aventureiro, autor de livros famosos como Caninos Brancos, O lobo do mar e seu mais famoso Chamado Selvagem. Nativo da cidade, foi ainda marinheiro, entusiasta,  influenciador do socialismo e até garimpeiro. Tudo em 40 anos. Por isso foi impossível perder a parada mais legal de Oakland. Além de bares e restaurantes, a praça abriga outros pontos de interesse, como: 2) Jack London’s Yukon Cabin, uma réplica da cabana do Jack feita com madeira do casebre original.
Jack London`s Square 2

Jack London`s Square 2

Jack London`s Square 1

A cabana do Jack London

3) First & Last Chance Saloonconstruído  com madeira de um barco velho, chamava-se assim porque, por conta da lei seca. Era ali a primeira e última chance de tomar uma. Só por isso o bar já seria o mais legal do mundo, mas tem mais. Depois do forte terremoto em 1906, o bar inclinou um pouco, especialmente o balcão, em 20º, e nunca mais o endireitaram. Um dos clientes mais famosos foi o próprio Jack London, que escutava histórias dos marinheiros para inspirar seus contos. 4) Lake Side Park, uma área imensa no centro da cidade, com destaque para um “lago” feito de água do mar, com ilhotas que servem de habitat para vários pássaros raros da região. Quando fecharam a entrada do oceano para transformar o local, um grande mal cheiro acompanhou o obra porque conta da água parada. Por conta disso, um novo canal foi aberto para que a água fluísse novamente e os locais aproveitam o espaço pra curtir o fim de tarde. 5) O curioso Mountain View Cemetery tem a melhor vista panorâmica da baia de Sao Francisco. Pelo pouco espaço na região para cemitérios, São Francisco começou a “exportar” seus mortos para cidades vizinhas. A cidade de Colma era a favorita, mas Oakland herdou alguns. Pela falta de parques, a população passou a adotar o cemitério como lugar para relaxar, passear e fazer piquenique.

Jack London`s Square 3

First & Last Chance Saloon

Jack London`s Square 4

O balcão inclinado do bar

Um beijo dos dois!


About

O Tiago Moreira tem 34 - Nerd, ele adora punk rock, o Corinthians e a sua buldogue Mafalda. Cresceu em Tremembé, mas nasceu pro mundo. Adora lasanha e é vegetariano. Depois de 10 anos em São Paulo, decidiu arejar um pouco a cabeça e viajar!


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