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Camboja: a história de um país que mais nos impressionou

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Para uma pessoa que está viajando o mundo como eu, sinto até vergonha de admitir o quão pouco sabia sobre o Camboja. Nada muito além de ser o país que serviu de cenário para algumas tomadas de Thomb Rider e que faz fronteira com a Tailândia e o Vietnam. Era quase um menosprezo – que depois percebi que não era só meu, mas de muita gente.

Um dos cenários cambojanos onde Angelina Jolie viveu Lara Croft

Um dos templos onde Angelina Jolie viveu Lara Croft

Tínhamos reservado uma semana pra conhecer o Camboja e chegamos na capital, Phnom Phen, por um ônibus que saiu Vietnã. No começo nem queria ter passado lá,  mas o Ti insistiu e resolvemos ficar duas noites na cidade.

A principal atração turística do lugar é dolorida, dá nó no estômago, mas tem uma história que me fez mudar totalmente a minha opinião sobre não conhecer o Camboja: os Killing Fields, que traduzido literalmente são os Campos de Matança.

Pesado…! Mas foi conhecendo esse lugar que, infelizmente, pude entender um pouco da história recente do Camboja e ter noção do porque o país ainda é tão menosprezado e o mais pobre que visitamos na viagem toda.

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Nos Killing Fields está esse monumento para relembrar as várias pessoas mortas durante o genocídio.

A história dos Killing Fields

A intenção de contar esse trecho da historia não é chocar e nem fazer drama, mas levar um pouco do sentimento que tivemos ao sair do Camboja, tipo: “eu quero muito fazer algo pra ajudar esse país”. Não bastasse a pobreza que sempre existiu, na década de 70, o Camboja esteve nas mãos de um ditador retardado que fez um completo genocídio no país e acabou com a vida de quase 2 milhões de pessoas.

Matou pelo simples fato de que tinha poder: qualquer um que tivesse relação com a oposição, com governos internacionais, intelectuais, professores, pessoas de mãos bonitas…enfim, qualquer suspeito que não se encaixasse às ideais do cara (incluindo crianças e bebês!) era levado para um desses killing fields e morto sem dó, mais ou menos como aconteceu no nazismo e em outros movimentos bizarros do mundo. E o pior: tudo isso acontecendo debaixo do nariz do mundo e ninguém fazendo nada a respeito, porque o país nunca teve atenção.

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Essa historia revoltou. Saber que um povo que já era simples, pobre e, principalmente, pacifico passou por tudo isso. Hoje muitos casos ainda estão sendo julgados, mas a comunidade internacional pouco dá importância, ainda existe muita injustiça e o povo não tem pra quem gritar. Isso dá mais raiva ainda, e por isso fizemos tanta questão de contar essa historia.

Pra quem quiser saber mais sobre isso, terá a oportunidade de ver um longa-metragem dirigido pela Angelina Jolie, que esteve no Camboja durante as filmagens de Tomb Rider. O filme “First They Killed My Father: A Daughter of Cambodia Remembers” narra a história real da escritora Loung Ung, que sobreviveu ao genocídio. O longa sai em 2016.

Siem Riep

A visão que tivemos em Phnom Phen fez a gente continuar a viagem com outro sentimento pelo Camboja, tendo mais carinho para entender as pessoas que cruzamos. Chegamos em Siem Riep – a cidade mais turística do país, onde ficam os “templos do Tomb Rider”, – mais abertos. E isso foi super legal.

Fizemos o nosso check-in e saímos pra buscar um guia que pudesse nos levar pra conhecer os templos de Angkor na manhã seguinte. No caminho cruzamos o Phearum, um motorista local que topou nos levar as 5h da matina na manhã seguinte.

Esse é o Phearum :)

Esse é o Phearum :)

O Phearum nos acompanhou por dois dias até os templos e acabou virando um amigo. No começo ele tentou nos empurrar para aquelas lojas turísticas onde ganharia comissão em cima das vendas mas depois, percebendo que éramos dois duros, desencanou e a nossa relação ficou mais espontânea. Ele contou sobre o filho que estava doente, sobre a vida da família no Camboja, perguntou sobre a nossa viagem, treinamos inglês juntos, falamos de planos e no fim conhecemos o melhor dos templos por causa dele. E também saímos com um sentimento mais feliz de lá.

Hoje ainda não fizemos nada importante para ajudar o Camboja, mas é um compromisso que carregamos pro futuro. Talvez contar um pouco da história aqui no blog seja um começo pra ajudar um país que sinto vergonha por nunca ter dado atenção.

Os templos de Angkor

O motivo inicial de termos ido pro Camboja foi conhecer os templos de Angkor e isso também não decepcionou. Além de ser um dos sítios arqueológicos mais importantes da Ásia, é também a maior construção religiosa do mundo, onde rege o budismo.

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Mesmo lotado de turistas, achamos sobretudo um lugar de paz.

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Entre os séculos 9 e 14 foi a sede do Império Khmer – uma civilização poderosa que construiu esse complexo gigantesco e que teve influencia de várias culturas, o hindu inclusive já foi a religião predominante há tempos atrás. O mais curioso é que, depois da decadência do império, os templos foram abandonados e re-descobertos só em 1860. Por isso é muito comum ver algumas construções encobertas pela floresta.

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Como o complexo é gigantesco e o calor bem agressivo, precisamos dividir nossa visita em dois dias. Fizemos questão de  chegar sempre as 5h da manhã para ver o nascer do sol em um dos templos mais famosos, o Angkor Wat, que é uma experiência fenomenal!!

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Também não tem como não ficar impressionado com a visão do templo de Ta Prohm, um antigo mosteiro budista que teve as suas construções de pedra “engolidas” por árvores de raízes gigantescas no meio da natureza (que depois serviu de cenário pro Tomb Rider).

Todo o esforço de acordar cedo, fazer caminhadas longas e morrer de calor compensou. O Camboja surpreendeu de novo, dessa vez com uma agradável lembrança.

18Onde nos hospedamos

Phnom PhenSLA Boutique Hostel. É caro para os padrões do Camboja, mas optamos por ter cozinha, café da manhã e estar bem localizado. Atendeu a todas essas expectativas, mas quem não faz questão desses itens, pode encontrar opções bem mais econômicas.

Siem Rieap 288 Boutique Villa. Eu e o Ti costumamos brincar que foi o hotel mais chique da viagem inteira, mas ele só custou USD21 a noite, para os dois. Tem um bom café da manhã, piscina (o que é bom para o calor que faz na cidade) e os quartos são grandes e confortáveis. No entanto, nada de super luxo.

O que fizemos

Killing Fields of Choeung EkO mais famoso e aberto à visitação fica em Phnom Phen. O lugar em si é mais um memorial, porque hoje quase tudo foi destruido, Mas vale a pena caminhar por lá enquanto se ouve o audio guide. Pagamos USD17 pelo tuck tck (sim, é caro, mas leva até 4 pessoas) e a entrada vale USD6, já com o audio.

Templos Angkor – É a atração mais famosa do Camboja e realmente vale a pena. Para ir, a maneira mais fácil é se hospedar em Siem Riep e dali negociar tours com os tuck tuck locais, que variam de USD14 a USD20/ dia. A entrada é salgadinha, mas você pode escolher entre tres modalidades de ticket, vendido no próprio local: um dia (20 USD), três dias (40 USD) e sete dias (60 USD).

Levar o café da manhã é uma boa pra quem acorda cedinho pra visitar os templos

Levar o café da manhã é uma boa pra quem acorda cedinho pra visitar os templos

Transporte

Além dos tuck tuck que usamos para nos locomover dentro das cidades, usamos ônibus para os trajetos de longa distância (Ho Chi Min – Phnom Phe // Phnom Phe – Siem Rieap // Siem Rieap – Bangkok). Apesar das distancias serem curtas, a estrada é ruim e os ônibus bem desconfortáveis e velhos, mas nada que você não possa conviver por 6h. Tanto a fronteira no Vietnam quanto para a Tailandia atravessamos por terra e sobrevivemos. Lemos muitas coisas mais assustadoras do que elas realmente foram.

Assim era um pouco da estrada entre a capital e a principal cidade turística do país

Assim era um pouco da estrada entre a capital e a principal cidade turística do país



About

28 anos, Relações Públicas e "mãe" da Mafalda. Cresceu no interior de SP, viveu 10 anos na capital. Aprendeu a dirigir, trabalhar e se virar. Mas continuou sem gostar de comer tomate com pele, ter as unhas compridas e de ficar sozinha.


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