Meu bisavô Dominguinhos e a Cidadania Italiana

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Meu bisavô fugiu da Itália com parte da sua família durante a guerra. Nasceu italiano, como Domenico, mas constituiu família e se fez aqui no Brasil, vindo a falecer como Domingos, já bem brasileiro. Histórias como a dele são muito comuns, embora esse post não seja sobre ele, mas sobre mim.

Quando era moleque, meu pai me chamava de “teórico da comida”. Era nojento pra comer e sempre teorizava que tal verdura ou legume eram ruins, mesmo sem experimentar. Na época, não gostava de tomates e me lembro da minha mãe e avó dizendo “- Você é italiano menino, onde já se viu não comer tomates?”

Tenho uma típica família italiana, com casas de cozinhas grandes, pessoas que falam alto e com as mãos, e sim, as deliciosas massas sempre à mesa.

Meu primeiro confronto com a cultura italiana, depois do tomate, foi a escolha do time de futebol. Não quis ser palmeirense à despeito dos meus melhores amigos na época, e fui torcer pro rival Corinthians. E na Copa de 1994, com o chutásso de Baggio pra fora.

Sem dúvida sou brasileiro. De corpo e alma. Mas sempre me senti próximo da cultura italiana, tanto que ao pisar por lá pela primeira vez bateu muita familiaridade. Lá percebi que também que sou um pouquinho italiano. Afinal, cresci falando pelos cotovelos e dentro de um ambiente bem típico.

Mas com a carreira publicitária em ascensão nunca pensei em tirar minha cidadania, afinal, o pesadelo burocrático imposto hoje te leva a esperar até 1o anos pra concluir esse processo, enquanto na Itália pouco menos de 3 meses.

Foi quando decidimos tirar o ano sabático que resolvi ter um papo com meu bisavô Dominguinhos lá na terra dele e resgatar essa herança.

Não foi fácil, aliás, nem um pouco. Comecei a levantar a papelada no Brasil, com a ajuda de um despachante, e lá na Itália tive suporte de outro despachante, que me orientou seguir com o processo no Comuni de Monza. Deu tudo certo, cada passo.  E tá aqui o passaporte.

Passaporte 2

Não vou torcer pra Itália na Copa, não vou torcer pro Roma ao invés do Corinthians. Nada disso. Mas o passaporte, como o próprio nome diz, me abriu uma possibilidade de entrar na comunidade européia, estudar e até morar lá legalmente. Eu e a Julia. E mais do que isso, foi pra mim  resgatar um pouco da minha história, de entender de onde eu vim e, muitas vezes, até quem eu sou.

Volto pra Itália em setembro, dessa vez como cidadão, e tenho uma visita agendada com meu falecido Nono Domenico, ou Dominguinhos, pra ver se ele me inspira pra onde seguir.

P.S: E se alguém tiver interesse em tirar sua cidadania, me escreve que posso ajudar, pra que não caiam nos mesmos buracos que eu!



About

O Tiago Moreira tem 34 - Nerd, ele adora punk rock, o Corinthians e a sua buldogue Mafalda. Cresceu em Tremembé, mas nasceu pro mundo. Adora lasanha e é vegetariano. Depois de 10 anos em São Paulo, decidiu arejar um pouco a cabeça e viajar!


Comments

'Meu bisavô Dominguinhos e a Cidadania Italiana' have 4 comments

  1. 1 de abril de 2015 @ 17:39 Joao Torres

    Olá!

    Gostei muito do seu post. Como o meu pai mora na Italia e eu aqui no Brasil. Como posso garantir o passaporte Itália?

    No agd!!

    Reply

    • 9 de abril de 2015 @ 1:51 Tiago Moreira

      Oi amigo! Seu pai é italiano, ou algum ancestral direto dele? Me passa direitinho, somente de ume transmite seu sangue italiano e ano de nascimento, tipo: avo – 1945, pai – 1970, etc. Se forem casados, seria bom saber tb. Sobre seu pai estar na
      itália, não tem problema, uma vez que os documentos que você precisa pro processo são de domínio público, basta saber onde ele foi registrado. Forte abraço!

      Reply

  2. 26 de julho de 2015 @ 18:47 Camila

    Oi!
    Meu bisavô é italiano e eu até já cheguei a olhar quais os documentos necessários pra dar entrada no processo (apesar de ainda não ter tais documentos). Com todos eles em mãos, qual o próximo passo? E qual o valor aproximado que ficou todo o processo? No mais, quais buracos eu devo evitar? rsrsrs
    Muito Obrigada!

    Reply

    • 27 de julho de 2015 @ 19:45 Tiago Moreira

      Oi Camila! Vou te dar um overview geral aqui e depois, quando ir mais a fundo no processo, é só me avisar que te ajudo no passo-a-passo. Pra saber a lista exata de documentos, precisaria saber do seu bisavô até você, todos que tramitem seu sangue italiano, o seguinte: Ano de nascimento, ano de casamento (se for casado) e se já é falecido.

      1: Tempo x $$:
      No Brasil é mais barato e mais demorado. Na Itália é mais caro, mas super rápido. Você pode usar um despachante pra te ajudar o que encarece o processo, ou pode fazer por conta e economizar.

      No Brasil o processo hoje leva em média 10 anos em SP ou 6 anos em Curitiba (mas pra fazer lá precisa ser residente no estado). Não precisa tirar a cidadania por pessoa, isto é, seu avô, seu pai e depois você. Podem tirar todos de uma vez, ou só você diretamente. Mas pra isso já vale a pena entrar na fila online no consulado. Você não precisa ter nenhum documento pronto pra entrar na fila, só vai precisar deles lá na frente. Por isso, quanto antes, melhor.

      Sobre o processo (*): Seus custos serão apenas relacionados ao levantamento de documentos em cartório (aprox R$ 300), tradução de um tradutor juramentado (aprox R$ 1.500), legalização de documentos no Ministério das Relações Exteriores (gratuito, apenas correio e selos R$ 20), e a taxa de legalização consular (seus R$ 1000). Esse último é um serviço agendado pela internet e está sempre fora do ar, mas só vale a pena agendar quando já tiver com tudo prontidão na mão.

      Daí, quando seu processo for aprovado pelo consulado, você só gastará com as emissões das certidões novas e passaporte.

      Se quiser um despachante, você vai gastar uma graninha, mas não vai ter preocupações. Muitas empresas fazem esse serviço, são enroladas pra dar feedback, mas funciona. Te indico a Ferrara Cidadania Italiana. Eles devem te cobrar algo em torno de R$ 7 mil.

      Na Itália, em 3 meses você já estes com seu passaporte italiano na mão, mas aí te aconselho a buscar uma consultoria mesmo. Nós não conhecemos a burocracia na Itália, só a nossa, então é melhor fazer com ajuda. Recomendo o Imir Mulato (http://www.imirmulato.it/home.php). Depois do processo (*) todo que mencionei acima, até a legalização consular, que você tem que passar de qualquer forma, você vai pra Itália (preferencialmente em vôo direto, sem escalas na Europa. Em menos de 8 dias da sua chegada, deve registrar residência (em imóvel alugado) e aguardar a visita de um policial que confirma se de fato está morando lá. Depois disso você finalmente dá entrada no processo de cidadania na prefeitura. Quando vier a provação é só solicitar RG, certidões transcritas e o passaporte.

      O despachante italiano que recomendei acima, te pega no hotel e te acompanha passo-a-passo te ajudando em cada etapa do processo. Fala português fluente e você não se preocupa com nada. É quase automático. Outra vantagem, caso esteja trabalhando, é que você não precisa ficar todos os 3 meses na Itália, fica seu mês de férias pra fazer a correria inicial (e dá tempo de viajar pelo país pra fazer turismo – caso faça com despachante). Depois eles te avisam no Brasil quando o processo tiver sido concluído pra você voltar pra Itália pra finalizar a papelada e buscar o passaporte (tem que voltar dentro de 1 ano – suas férias seguintes). Com despachante espere gastar EUR 2.500, com documentos na Itália aprox EUR 600 + seus gastos com moradia / hospedagem, passagem, comida, etc.

      É correria e é caro. Eles não facilitam a vida, nem aqui nem lá. Mas pra mim valeu a pena. Tem que querer muito rs.

      Se tiver dúvida me fala que te ajudo!
      Beijo, TIAGO

      Reply


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