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O turismo predatório com animais

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O que deve passar pela cabeça de pessoas como Walter Palmer e Sabrina Corgatelli ao viajar para um continente que não é o deles e não faz parte da cultura deles, para caçar animais que estão em seu habitat natural e depois exibi-los como troféus?

Sabrina Corgatelli exibindo uma girafa morta por ela (foto: Facebook/Sabrina Corgatelli)

Sabrina Corgatelli exibindo uma girafa morta por ela (foto: Facebook/Sabrina Corgatelli)

A história grotesca de Palmer ficou conhecida no mundo inteiro depois que ele caçou um leão protegido que era símbolo do Zimbabue e, após ser acusado, simplesmente desapareceu.

A gente fica revoltado lendo essas coisas e, por isso, resolveu falar sobre o assunto. Viajando, temos aprendido que esse tipo de “diversão” com animais é parte de uma industria imensa e totalmente predatória, que as vezes não temos noção e nem precisamos ir tão longe pra incentivar. Queremos até dividir um caso nosso sobre isso:

Quando fomos pra Thailandia pela primeira vez, em 2011, queríamos muito andar de elefante – vimos até uma matéria no Globo Repórter mostrando o repórter em cima de um. Só que, por muita sorte, antes de encontrarmos um pra “montar”, fomos fazer uma visita ao Elephant Natural Park, uma fazenda enorme de elefantes que tem uma visão completamente diferente sobre o trato desses animais, e que mudou também a nossa maneira de encara-los.

O projeto nasceu quando uma tailandesa começou a resgatar (e as vezes até comprar) alguns elefantes que não serviam mais para o trabalho humano, de tanto sofrerem maus tratos. Ela nos explicou que a tradição de domesticação na Tailândia é baseada na “quebra do espírito”, que basicamente é judiar do animal (com agulhadas, amarras, prisões), até eles estarem dóceis o suficiente para servir o ser-humano. Além de serem judiados para trabalhos forçados, alguns donos também tiram os elefantes do seu habitat natural para serem fotografados e alimentados por turistas na cidade, onde eles se sentem extremamente estressados e ingerem todo tipo de porcaria que é dada para eles.

A fundadora do Elephant Natural Park

A fundadora do Elephant Natural Park

Por conta de toda essa cultura de maus-tratos, esse projeto visa re-conectar os elefantes ao seu habitat natural, com a mínima interferência de humanos. Ali nós podemos apenas ajudar com o banho e alimenta-los de frutas, e de resto, somos meros espectadores.

Depois conhecermos o trabalho dessa mulher, nossa visão mudou tanto que, desse dia em diante, passamos a ter muito cuidado quando vamos a qualquer atração que envolva animais. Percebemos que existem muitas pessoas fazendo tralhos sérios pelo mundo, mas a maioria ainda são picaretas que querem ganhar dinheiro com a doçura e a beleza do animais, infelizmente.

Por conta disso queremos fazer um pedido pra todo mundo que ler esse post: se informe antes de adquirir qualquer tour com bichos. Busque saber se trata-se de uma trabalho sério e informe-se sobre o animal que vai conhecer, pra que você consiga avaliar se são bem cuidados, se vivem livres  e se a sua presença não vai interferir de forma negativa no ambiente dele.

Temos lido algumas coisas a respeito e encontramos dicas de especialistas bem bacanas e que nos ajudaram a entender melhor sobre o assunto:

  • Observar o animal selvagem no seu ambiente natural é muito melhor do que ir a espetáculos que os obriguem a ter comportamentos não naturais.
  • Tente não forçar interações com animais selvagens. Eles não estão acostumados a esse tipo de contato com os humanos e podem ficar estressados, doentes e até agressivos.
  • Pense duas vezes antes de tirar uma foto com o animal selvagem, principalmente com filhotes. Eles certamente foram tirados da sua mãe pra servir como atração.
  • Avalie a necessidade de ir a um desses shows aquáticos com golfinhos ou baleias. A ciência demonstrou que esses inteligentes animais sofrem muito com as condições limitadas dos aquários, e o nível de estresse e mortalidade são elevados.
  • Observação de Leões Marinhos no Big Sur, CA

    Observação de Leões Marinhos no Big Sur, CA

Se o assunto interessar, a ONG ANDA desenvolveu uma cartilha super bacana sobre o assunto.

A gente não quer ficar cagando regra de nada, mas por experiência própria, temos aprendido a ser turistas mais conscientes e queremos levar isso a diante :) pense que o conhecimento é a primeira atitude pra  garantir aos animais  seu direito de serem animais livres.



About

28 anos, Relações Públicas e "mãe" da Mafalda. Cresceu no interior de SP, viveu 10 anos na capital. Aprendeu a dirigir, trabalhar e se virar. Mas continuou sem gostar de comer tomate com pele, ter as unhas compridas e de ficar sozinha.


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