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Papo reto de dois viajantes

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Dia desses estávamos planejando a nossa passagem pela Capadócia, quando nos deparamos com o preço do clássico passeio de balão: 100 euros por pessoa, para 45 minutos. Na mesma hora veio aquele sentimento dividido: “Isso é muito dinheiro, muito mais do que temos para passar um dia inteiro em vários países. Mas também ir até a Capadócia e não cruzar o céu num balão é como não conhecer de fato a Capadócia…”.

Começamos a conversar sobre as possibilidades que tínhamos, vimos de onde poderíamos espremer o dinheiro pra pagar, mas no fim das contas decidimos: não vamos sobrevoar a Capadócia de balão. Nos comprometemos a explorar a região da melhor maneira que conseguirmos, caminhando bastante, curtindo o visual do alto das montanhas, mas não queremos (nem podemos) gastar toda essa grana nesse momento.

Quisemos contar essa passagem para mostrar que escolhas como esta aparecem o tempo todo durante a viagem. Muitas vezes precisamos buscar alternativas pra comer mais barato, pra chegar em algum lugar e eu passo várias vontades por conta de coisas que eu gostaria de comprar, mas não posso.

Sempre fizemos muita questão de também mostrar esse lado não romantizado da viagem (como aqui e aqui), porque dilemas assim fazem parte da vida de todo mundo. Por isso nós nunca encaramos essa volta ao mundo como a perfeição em forma de vida, mas sim como um grande aprendizado.

E como sabiamente descreve esse texto, hoje as pessoas tem explorado a ideia de viajar de forma muito banalizada. Os textos que circulam pela internet nos fazem pensar que tudo é lindo e que você vai atingir o nirvana na terra assim que botar uma mochila nas costas. Fico imaginando quem vê esse tipo de conteúdo na sua timeline, sentado na cadeira do trabalho e daí, de duas uma:  ou corta os pulsos porque tem que trabalhar de segunda a sexta e não pode levar essa vida “perfeita”; ou vomita depois de ler tanta frase de efeito.

Não queremos com isso dizer que viajar é uma merda, claro que não é! Se fosse não teríamos abandonado tantas coisas que amamos no Brasil pra viver essa experiência durante um ano. Mas também sempre fizemos questão de passar honestidade nas nossas vivências. Mostramos que as vezes brigamos – como brigávamos no Brasil – e que o dinheiro as vezes não dá pra tudo – como também não dava no Brasil.

Só que como tudo na vida, buscamos tirar aprendizados com as coisas não dão certo. Porque se fossemos nos guiar por essas listas “10 motivos para largar seu trabalho e viajar”, ou “10 empregos dos sonhos pelo mundo”, certamente seríamos dois viajantes (ou qualquer outro tipo de pessoa) frustrados. Sentimos que esse tipo de conteúdo inspira até certo ponto, mas, por outro lado, é algo até meio surreal. Esse bem bom full time só existe mesmo nas fotos da revista Caras, e olhe lá!

Pra fechar essa historia, queremos dizer que viajar, ficar um ano sem trabalhar, tudo isso está sendo uma experiência incrível pra nós dois. Mas acima de tudo, vemos essa escolha como um grande intensivão de vida. Acho que é por isso não temos medo de quando a viagem acabar e não tivermos mais fotos incríveis pra postar no Facebook todos os dias. Porque ainda assim, temos muitos outros sonhos pra perseguir. Viajamos com a plena consciência de que uma volta ao mundo não é a solução de tudo, só foi a nossa maneira de encontrarmos algumas das nossas respostas. E é por isso que sobrevoar a Capadócia num balão não vai trazer o que buscamos em primeiro lugar.



About

28 anos, Relações Públicas e "mãe" da Mafalda. Cresceu no interior de SP, viveu 10 anos na capital. Aprendeu a dirigir, trabalhar e se virar. Mas continuou sem gostar de comer tomate com pele, ter as unhas compridas e de ficar sozinha.


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