Peru – Dicas

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Da capital Lima ao deserto de Ica, dos Canyons de Colca às belezas naturais de Huaraz e, finalmente, uma das maravilhas da humanidade, Machu Picchu! Tudo detalhadinho pra quem pensa em se aventurar pela Meca dos mochileiros na América do Sul: Peru!

Você leu o post com nossas experiências no Peru? Todas as nossas impressões daqui estão nesse link!

** LIMA

Não agrada qualquer um. É uma cidade grande e abriga quase 8,5 milhões de pessoas. Mas pra quem curte, ela demonstra algumas belezas como o bairro de Miraflores, alguns dos melhores museus do país e uma vida noturna vibrante. Pra nós foi apenas ponto de partida.

Hospedagem

Condor’s House: 1 noite

Um daqueles hostels que você não entende como tem um ranking bom. Chegamos tarde da noite, cansados e ainda tivemos uma surpresa: nosso quarto não estava reservado. A solução foi um quartinho úmido de fundo, que nem usam para hospedar ninguém. Barato e com uma atmosfera razoável, mas sujo e mal administrado.

El Paipo: 1 noite

Um hostel super bem decorado com pranchas de surfe e lindas fotos do dono, que também é um viajante. A equipe lá, no entanto é meio confusa. Um dos funcionários vive com os 2 simpáticos filhos, mas a real é que isso faz com que o hostel perca um pouco a cara de hostel, mata a atmosfera… Limpeza não é o ponto forte, mas é bem seguro, palavra-chave para decisões de onde ficar em Lima. Internet ótima, mas não pega em alguns dos quartos. Nada de especial, mas ok.

** ICA

Uma cidade fundamentalmente feia. Bem feia. Como principal atração, no entanto, um espetacular oásis, que não foge da definição, fica no meio de um deserto há alguns quilômetros do centro urbano.

Hospedagem

Juan Jhong: 2 noites

Cansados da noite mal dormida em Lima, resolvemos pagar um pouco a mais e ficar numa casa de família que encontramos no Airbnb. E foi uma agradável surpresa. A nossa hostes sofreu de  “síndrome do ninho vazio” depois que os filhos foram morar fora do país, então começou a receber viajantes para conhecer gente e ter mais companhia.  A verdade é que ela foi uma mãezona pra gente: cozinhou, deu dicas, contou histórias, tudo perfeito. Além de tudo, a casa fica em um condomínio com boa segurança, em frente a umas dunas, e com piscina! Compensou a nossa estadia em Ica.

Nossa casa em Ica

Nossa casa em Ica

Experiências:

1) Huacachina é um oásis cercado de árvores, restaurantes e bares bem no meio de um mar de areia. O ideal é se hospedar por lá mesmo, mas melhor reservar antes, caso contrário você pode ficar na feia Ica – como nós. Passeios pelas dunas e sandboard estão disponíveis, mas ao contrário do resto do Peru, não tem muito o que negociar e saem, em média, R$50

Oasis em Ica

2) Fazendas de Pisco: A região de Ica é a mais famosa no Peru pela produção do Pisco e existem vários produtores. O melhor jeito de conhecer é pegar um taxi pra passar o dia visitando, ou se quiser economizar e passar emoção, os ônibus locais são opção. A Bodega Tacama, que fomos, tem visitas guiadas gratuitas, mas tentam te vender garrafas de pisco depois, mais caras que encontraria em mercados.

**AREQUIPA:

A segunda maior cidade do Peru, com 900 mil pessoas, é conhecida como “ cidade branca” por conta da quantidade de rochas vulcânicas encontradas em construções na cidade. No periodo colonial, foi também uma das principais cidades peruanas que concentrou famílias nobres da Espanha, o que marca muito a característica das construções. Lá também é o ponto de partida para os Canyons de Colca.

Hospedagem

Le Foyer: 3 noites

Esse hostel fica numa esquina super movimentada em Arequipa. Mas sendo a segunda maior cidade do Peru, não tem jeito de escapar muito do barulho – até porque os peruanos amam buzinar. Fora isso, os funcionários são super prestativos e educados e passamos os dias com a companhia da simpática Luna, uma vira-lata que vive lá. O local é seguro e limpo. O café da manhã é ótimo (raridade em hostels). Prefira os quartos do fundo por conta do barulho.

Experiências: 1) Museu de la Catedral de Arequipa (USD 3,50) – um impressionante museu hospedado na Catedral da cidade, que já passou por várias reconstruções ao longo de sua história – a última delas por conta de um terremoto em 2001, que destruiu o teto e uma das torres. Além do museu, com um grande acervo religioso de influência espanhola (a maioria em ouro), a visita inclui uma vista panorâmica da cidade ao final , ao lados dos sinos; 2) Monastério de Santa Catalina (USD 12) – Foi construído pelos espanhóis para hospedar suas filhas que haviam “decidido” se tornar freiras. Praticamente uma cidadela, essa impressionante construção servia para manter o conforto com a qual as freiras estavam acostumadas a ter na Espanha; 3) Tour Canyons del Colca: (USD 44, incluindo transporte, hospedagem e taxas) – São o principal passeio de Arequipa. Mesmo não estando tão perto da cidade, a maioria dos viajantes opta por sair de lá  por conta da infra-estrutura e das ofertas de tour, o que foi também a nossa decisão, pois estávamos bem cansados. Nosso tour saia bem cedo um dia e voltava ao final do segundo. Além dos Canyons em si, também fizemos paradas para ver os Condores, pequenos vilarejos indígenas e conhecer os banhos de águas termais, ao ar livre!! – de longe uma das coisas que mais valem no passeio.

Canyons

Canyons

** CUSCO 

A 3.300m de altitude, a charmosa Cusco deixa literalmente os seus visitantes sem ar. Terra em que os incas guardavam seu ouro, foi saqueada pelos espanhóis após a invasão em 1533 e hoje vive basicamente de turismo. A meca dos mochileiros é aqui: bares e restaurantes baratos, hostels e tudo mais que um mochileiro poderia desejar. Mas também atende bolsos mais endinheirados de turistas que buscam mais conforto.

Hospedagem 

Intro Hostel: 1 noite

Chegamos após uma noite mal dormida no ônibus e demos de cara com um ambiente não muito bom… Aparentemente tinha rolado uma balada na noite anterior e a faxina ainda não tinha sido feita,  por isso, acredito que comprometeu um pouco nossa experiência por lá. Mas no geral, pra quem viaja sozinho, pode ser uma boa. A cozinha é pra quem acredita que um pouquinho de sujeira não mata…

Mama Simona: 3 noites

Mudamos de hostel assim que possível e a situação melhorou, um pouco. Os quartos e banheiros eram simples, mas limpos e confortáveis. No entanto, a água quente faltou na primeira noite,  a internet deixava bem na mão e tocava musica gospel no lounge, Sobre a localização, a rua não inspira muita confiança, mas é só impressão mesmo. Como muita gente fica uma noite fora do hostel pra ir a Machu Picchu e volta, a maioria dos hostels oferece guarda-volume de graça, pro viajante não ter que supor e descer com uma mochila muito grande nas costas. O deste é espetacular. Café da manhã bem legal, quartos compartidos de 4 camas também são bons.

Aguas Calientes: Eco Backpackers: 1 noite

O ponto de partida para Machu Picchu é a cidadezinha de Aguas Calientes, que evoluiu muito desde minha última visita em 2007. Esse em particular é excelente. Banheiro limpo, água quente 24h, cama boa e limpa, toalhas grátis e uma área comum no terraço, com boa comida e cerveja. O ponto fraco é que fica em frente a linha do trem, o que pode ser barulhento – mas como quase todo mundo acorda de madrugada  a verdade é que você nem vê o primeiro trem do dia. Café da manhã bem nutritivo pra encarar a subida!

Experiências:

1) Machu PicchuQuem vem ao Peru não pode deixar de visitar uma das novas 7 maravilhas da humanidade. Patrimônio da Unesco, “descoberto” por um aventureiro americano em 1911, a maior cidade Inca da qual se tem notícia recebe 2500 visitantes por dia. Escrevemos aqui um post com várias maneiras de chegar, com custos e dicas;

2) Catedral de Cusco: Com 100 anos de idade, a catedral que fica bem em frente a plaza de armas ilumina Cusco. Ela se fundiu com a igreja Jesus Maria (1733) e El Triunfo (1536);

3) Acllahuasi: Monastério em que freiras catequizavam os incas após a invasão espanhola. Detalhe para as artes sacras penduradas nas paredes, que retratam espanhóis crucificando Jesus, e não os Romanos. Hoje é um local de oração, em que muitas freiras vivem em clausura, por isso os horários de visitação são limitados.

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Trilha para Machu Picchu

Catedral de Cusco: Com 100 anos de idade, a catedral que fica bem em frente a plaza de armas ilumina Cusco. Ela se fundiu com a igreja Jesus Maria (1733) e El Triunfo (1536).

Acllahuasi: Monastério em que freiras catequizavam os incas após a invasão. As artes sacras penduradas nas paredes retratam espanhóis crucificando Jesus, e não os Romanos. Hoje muitas freiras são enclausuradas no monastério, por isso os horários de visitação são limitados.

** HUARAZ

Casa de uma das áreas montanhosas mais lindas do mundo, Huaraz é a capital peruana da aventura, graças ao maravilhoso Parque Nacional Huascarán. Foi uma das melhores descobertas na América do Sul e sentimos que não é tão buscada por turistas como Cusco, por exemplo:

Hespedagem

El Jacal: 4 noites

Huaraz, como grande parte das cidades peruanas, é feia. Mas também, como a maioria, fica em torno de uma natureza incrível. A vista do nosso quarto dava pra montanha com pico de neve eterna, e cercado por montanhas, o que já foi um ponto super positivo desse hostel. Além disso, fica localizado numa rua segura, a 4 quarteirões da estação de ônibus e a 5 da Plaza de Armas (praça principal). Ficamos suficientemente longe do barulho e perto do centro pra qualquer necessidade. Seguro, limpo, confortável, com bom café da manhã e uma das melhores internets que pegamos na América do Sul. A dona toca o negócio com seus pais, por isso o ambiente familiar é um abado também.

Experiências:

1) Huascarán (USD 15): A atração principal da cidade ainda é a Cordilheira Blanca, que fica dentro do Parque Nacional Huascarán. O nome se dá ao pico com neve eterna com mais de 6 mil metros de altura, que a cada dia fica menos branco, graças as efeitos do aquecimento global. Pela altitude não é fácil subir até o topo, por isso fomos até o Glacial Pastouri, um monte próximo também nevado, de 5240 m, onde o ar te abandona e uma simples caminhada. O ideal é pegar um tour que sai da cidade bem cedo e volta no final do dia. Com várias paradas, é possível conhecer nascentes de água gaseificada natural, plantas exóticas e claro, ver o lindo Huascarán.

Huascarán

Huascarán

2) Llanganuco (USD 20): Onde tem geleira tem lagos! E as geleiras que derretem cada vez mais rápido alimentam dezenas de lagos na região de Huascarán. Alguns podem ser conhecidos com dias de trilha. Nós, pelo tempo mais limitados, optamos pela Laguna Llanganuco. Na falta de palavras, deixamos a imagem abaixo para falar por si.

Llanganuce

Llanganuce

3) Banhos Monterrey (USD 1,30): Nem de longe são interessantes como o de Arequipa, mas este ainda guarda algumas supresas. Com duas piscinas de águas termais, os Baños Monterrey ficam encrostados em uma montanha e facilmente acessíveis por transporte público local. Mas não se deixe impressionar com o aspecto turvo da água que, segundo locais, são resquícios vulcânicos. 4) YungayEm 1970 um terremoto deslocou uma quantidade absurda de terra, pedras e gelo de Huascarán, sepultando 20 mil almas em um vilarejo na região. Hoje é possível visitar esse imenso cemitério, onde as lápides todas tem a mesma data na inscrição, que se transformou em santuário. Um monumento e um parque são mantidos pelo governo para manter viva a memória dos que lá viviam.

**LOCOMOÇÃO NO PAÍS:

No Peru os trajetos entre cidades são longos por conta das cordilheiras, então o jeito é viajar de ônibus. A Cruz del Sur é a companhia mais recomendada pelos guias de viagem. Caso pegue trajetos à noite para economizar na hospedagem, não há necessidade de escolher assentos VIPs. Os assentos comuns já são ótimos! Outra companhia que descobrimos desta vez, tão boa quanto, é a Otursa. Em geral 20% mais barata, mas não dá a opção de selecionar comida vegetariana, por exemplo.

Não se assuste se o seu ônibus não estacionar numa rodoviária. Elas quase não existem no Peru e, na maioria das vezes, são garagens da própria cia de ônibus. Em Lima elas ficam em bairros mais perigosos, por isso sempre usamos taxi.

E para rodar dentro das cidades quase sempre usamos taxis. Eles são baratos e estão em todos os lugares. Mas atenção: não existe táximetro, por isso os preços precisam ser negociados na hora. Sempre perguntávamos nos hostels quanto valia cada cada trajeto para os taxistas não enfiarem a faca.

** COMIDA:

A cozinha Peruana é hoje a maior representante da culinária sul-americana e o restaurante Central, em Lima, já ultrapassou brasileiro DOM no ranking de melhores do mundo. Em geral os pratos são muitos, o ceviche é o mais famoso deles, o frango é a carne mais comida, o aspargo e a sopa de verdura são muito comuns em algumas regiões e existem várias espécies de milho que também são muito utilizadas.

Lá adoramos a Causauma espécie de rocambole feito com purê de batatas e pode ser recheado com frango, carne, frutos do mar e no nosso caso, até vegetariano.

Uma curiosidade: Os chilenos disputam com os peruanos a autoria do Cebiche – feito com peixe cru marinado em suco de limão – mas a verdade é que ele é tradicionalíssimo no Peru. A rivalidade entre eles também chega à mesa com outro produto referência entre os dois países: O Pisco, a famosa aguardente feita de uva.

VALE A DICA:

  • Plaza de Armas: Toda cidade peruana tem uma plaza de armas (praça central). Elas são seguras, normalmente contam com um centro de informações turísticas gratuitas (verá um “i” escrito com o logo do Peru, com o desenho de um macaco desenhado, similar ao das linhas de Nazca), restaurantes e hostels sempre ficam por perto.
  • Restaurante vegetariano: Green Point. Este peruano rodou o mundo, morando na África do Sul e até no Brasil. Aprendeu a cozinhar pela internet e hoje é um excelente chef. Abriu um restaurante vegetariano e glúten free. Com um ambiente gostoso, chama a atenção pela a apresentação dos pratos e pelo sabor. Vale a visita!
  • Quando procurar hospedagem em Cusco, certifique-se de que tem água quente. Não costuma ser muito comum na cidade.
Green Point

Green Point

Mais sobre o Peru!

  • Post com nossa impressões sobre o país -> aqui
  • Maneiras de chegar a Machu Picchu -> aqui

 



About

O Tiago Moreira tem 34 - Nerd, ele adora punk rock, o Corinthians e a sua buldogue Mafalda. Cresceu em Tremembé, mas nasceu pro mundo. Adora lasanha e é vegetariano. Depois de 10 anos em São Paulo, decidiu arejar um pouco a cabeça e viajar!


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