Porque não fomos a Auschwitz

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Chegamos na Polônia sem saber muito o que esperar. Nos planejamos tão mal que partimos direto para a capital, Varsóvia, senão saberíamos que a Cracóvia seria um lugar muito mais interessante.

Isso porque Varsóvia foi completamente destruída pela guerra e, por mas por mais que tenham sido fiéis no trabalho de reconstrução local, o valor histórico da cidade foi comprometido. Já a Cracóvia passou praticamente ilesa da destruição e ainda conserva construções como castelos e todo o gueto judeu que abrigava uma das maiores comunidades judias da Europa. Com apenas quatro dias para ver tudo, tivemos que fazer algumas escolhas difíceis, mas que não aconteceram por acaso.

Foi na capital, num hostel de apenas três quatros, que conhecemos Jason Francisco, um fotografo judeu de origem norte-americana que faz um trabalho muito interessante na região da antiga Galicia (não a espanhola), que compreende parte da Polônia e Ucrânia. Seu trabalho – exposto no Museu da Galicia, Cracovia – busca resgatar a memória do povo judeu que habitava a região e foi praticamente extinto pelos nazistas durante a guerra. Foi nessa conversa que a gente decidiu dar novos rumos pra nossa rota na Polônia.

Já no da seguinte seguimos pra Cracóvia: com um lindo centro histórico e um belíssimo castelo, a cidade atrai jovens do mundo todo para uma noite agitada, cheia de PUBs e baladas.

Mas quem vem pro destino também está atrás de histórias da Guerra: aqui é o ponto de partida para visitação do maior campo de concentração da época do holocausto, o Auschwitz-Birkenau. E não é um turismo leve.

Então quando nos perguntam “Por que vocês não foram a Auschwitz?”, respondemos – Porque decidimos celebrar a vida e não a morte.

Achamos que todo mundo deveria ver sim os campos, pra sentir a que ponto chegamos como humanidade. Mas ao invés de ver como um povo e sua cultura praticamente foram extintos, decidimos usar o tempo curto pra ver como sua memória está sendo trazida de volta à vida, e o museu da Galicia é um exemplo disso.

Além dele, os guetos e sinagogas na cidade estão preservados e mostram a área de isolamento onde os polaco-judeus ficaram confinados antes de serem levados aos campos de concentração.

Há também um trabalho assim sendo feito em Varsóvia, que acaba de inaugurar o novíssimo e moderno Museu Polin . Com apoio da iniciativa privada, resgata a historia desse povo desde a idade média.

Em geral, a Polônia vem fazendo um esforço pra manter viva a memória do povo judeu, mas ainda há muito descaso, só que nada comparado ao que acontece na Ucrânia (onde está concentrado o trabalho do Jason Francisco): Imagens de jazigos sendo usados para estocar feno, ou cemitérios pichados são bem fortes. Por isso, reforçamos aos viajantes independentes e responsáveis que ao visitarem o país, incentivem esses esforços – e ajudem a divulgar os trabalhos.

A Polônia foi gelada, linda, intensa e muito, mas muito instrutiva.



About

O Tiago Moreira tem 34 - Nerd, ele adora punk rock, o Corinthians e a sua buldogue Mafalda. Cresceu em Tremembé, mas nasceu pro mundo. Adora lasanha e é vegetariano. Depois de 10 anos em São Paulo, decidiu arejar um pouco a cabeça e viajar!


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