Vista da baia de Hong Kong, no bairro de Tsim Sha Tsui

Roteiro pela China: dicas, conselhos e o que fazer

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contei que a China foi o país que eu menos pensava em conhecer na viagem e me surpreendi. Recomendo pra tudo mundo que quer sair um pouco dos roteiros clássicos e ver algo realmente novo e diferente.

Viajar pra lá não é um bicho de sete cabeças, tanto que conseguimos fazer tudo por conta própria. Nosso roteiro durou 20 dias e percorremos oito cidades: Hong Kong, Shenzhen, Guilin, Yanghshuo, Xingping, Pingyao, Xi’An e Beijing.

Nosso percurso pela China

Nosso percurso pela China

Na prática, HongKong e China são dois países diferentes. A China criou tanto em HK quanto em Macau, Regiões Administrativas Especiais, cedendo-lhes autonomia governamental e uma economia capitalista. Interessante né? Um país, dois sistemas, duas moedas. A China tem o Yuan e Hong Kong tem o dólar de Hong Kong, impresso pelo HSBC e a 8a moeda mais negociada no mundo. Ou seja, ao chegar em HK você não chegou na China. Tanto que pra visitar HK não precisamos de visto.

O transporte foi um dos pontos que mais impressionou positivamente. Os trens e estações são ótimos, quase padrão europeu, e os aeroportos muito bons e fácies de chegar.

Acabamos fazendo poucos trechos de trem por vacilo, pois deixamos para comprar as passagens quando chegamos lá e já quase não tinha mais nada disponível. Mas aprendemos que o ideal é pedir ajuda antecipada para o hotel/hostel em que você se hospedar, pois eles costumam fazer a compra com uma comissão inferior a das agências de turismo. Só é bom lembrar que os trens na China são agrupados em 1 e 2 classe, e que os trens noturnos também tem dois padrões de camas diferentes – esse ótimo site (em inglês), explica todas as diferenças com bastante detalhe.

Trem Noturno Beijing - Shenzhen. Super confortável!

Trem Noturno Beijing – Shenzhen. Super confortável!

Sobre a comida, vamos passar uma visão geral porque não ficamos muito fãs das iguarias chinesas: Como somos vegetarianos, as nossas opções ficavam restritas a noodles e arroz com legumes. Mas na maioria das cidades, especialmente nos hostels, é fácil encontrar outras opções mais ocidentalizadas. Já quem curte uma carne, vai encontrar tudo o que puder imaginar no palito!

Esse parece um caranguejo empanado :~

Esse parece um caranguejo empanado :~

Vamos agora falar um pouco do que encontramos em cada lugar:

** Hong Kong:

Foi nossa cidade de chegada e partida, porque os voos eram mais baratos. Ficamos só três noites para nos ambientarmos e planejarmos o roteiro pelo país, mas encontramos algumas partes interessantes.

Hospedagem: Ficamos dois hostels diferentes, um na chegada e outro na partida. O primeiro, Wang Fat Hostel , confesso que não curtimos. Não fica na área mais legal da cidade e também foi difícil pegar informações porque o staff fala pouco inglês (e não se esforça muito), o café da manhã era fraquinho e a área útil bem ruim. Já o segundo, Homy Inn, achamos mais legal por estar numa parte bem mais bonita de Hong Kong, o bairro de  Tsim Sha Tsui, e o staff foi muito atencioso. O quarto era minúsculo – esse é o padrão na cidade -, mas confortável e também foi um pouco mais barato.

Vista da baia de Hong Kong, no bairro de Tsim Sha Tsui

Vista da baia de Hong Kong, no bairro de Tsim Sha Tsui

Transporte: Hong Kong tem um transito caótico, mas oferece uma ótima alternativa de metrôs e bons ônibus. Por isso, se hospedar perto de uma estação adianta bem o lado. Há inclusive um ônibus que vai do aeroporto internacional ao centro da cidade que sai em torno de USD5/pax e as rotas podem ser visualizadas aqui.

Metrô de HK - clique para ampliar

Metrô de HK – clique para ampliar

O que fizemos: Como nosso objetivo em Hong Kong não era explorar a cidade, acabamos conhecendo pouco. Mas foi bacana ir até a orla, onde eles têm uma calçada da fama só de artistas chineses e ver um lado ultra moderno da cidade. Também precisávamos comprar alguns eletrônicos e aproveitamos pra ir num desses centrinhos de tecnologia, o Wanchai Computer Center. Aliás, se a sua intenção for compra de eletrônico, não deixe de negociar muito e cuidado com os intensa falsificados!

** Shenzhen

Essa é a primeira cidade oficialmente chinesa e onde se toma o carimbo no passaporte para entrar na “República da China”. Só passamos uma noite, porque fomos com o objetivo de pegar um avião – todos os voos partindo/chegando daqui são bem mais baratos do que Hong Kong. Dizem também que é em Shenzhen onde está a maior concentração de artistas que replicam obras de arte pro mundo todo, esse artigo bem legal conta um pouco sobre.

Território Shenzhen/ Hong Kong

Território Shenzhen/ Hong Kong

Hospedagem: Ficamos num lugar ótimo, quarto privado por USD20 a noite, o Green Oasis Hostel. Nossa opção por ele foi a localização, mais perto do aeroporto, mas fica numa área legal, cheia de restaurantes e também bem movimentada.

Transporte: Partimos de Hong Kong pra Shenzen usando o metrô até a estação Lo Wu, que faz fronteira entre as duas cidades. Dali já saímos direto pra tomar o carimbo no passaporte e depois caminhamos até o metrô mais próximo, tudo bem tranquilo. Andamos umas 20 estações e descemos perto do hostel. A nossa única marcada foi não ter levado o endereço em chinês: sem Google Maps pra ajudar, deu o que fazer pra encontrarmos! rs.

Metrô de Shenzhen - clique para ampliar

Metrô de Shenzhen – clique para ampliar

** Guilin/ Yangshuo/ Xingping

É uma das zonas mais turísticas da China, famosa pelas plantações de arroz na zona rural. Guilin costuma ser a porta de entrada por ser a maior cidade e com mais estrutura, mas em todas elas encontramos boas hospedagens e comida.

Vista da Zona Rural de Yangshuo

Vista da Zona Rural de Yangshuo

Hospedagem: O Cyan Box foi nosso hostel em Guilin, muito bacaninha, bem localizado e barato (USD12,30 o quarto privado). A equipe é mega atenciosa e faz tudo o que está ao alcance para ajudar. Talvez você possa achar a cama um pouco dura, mas esse foi outro padrão que percebemos na China inteira. Já em Yanghshuo optamos pelo Outside Inn, na zona rural, e foi super bacana. Eles têm uma área externa no meio da natureza, um bom restaurante e dali mesmo saímos pra fazer caminhada pelas plantações. O único ponto desfavorável foi que nosso quarto era um pouco úmido, mas mesmo assim valeu.

Área externa do nosso hostel em Yangshuo

Área externa do nosso hostel em Yangshuo

Transporte: Chegamos em Guilin de avião e tomamos um ônibus até o centro da cidade, depois um taxi. Como as atrações turísticas são muito próximas, dá pra fazer tudo a pé. Pra ir até Yangshuo e Xingping, que são cidades menores, mas com paisagens mais bonitas, usamos ônibus circular e nos locomovemos lá de tuk tuk. Mas dessa vez já tínhamos aprendido e levamos todos os endereços anotados em chinês!!

O que fizemos: 1) Em Guilin aprendemos o que eram os pagodas ao visitar os pagodas gêmeos Sun and Moon, que estão no meio do Shān Lake. 2) Caminhamos até a Montanha do Elefante, um dos pontos mais famosos da junção entre os rios Li e Yang; 3) mas o ponto alto foram as trips até Yangshuo e Xingping. Xingping é uma cidade minúscula e milenar, super charmosa e cercada de montanhas por onde passa o Li River. O lugar tem uma paisagem tão fantástica que está estampada na nota de 20 Yuan. Já Yangshuo é uma continuação deste cenário, com mais uma área maior e ótimos pontos pra caminhada!  Se você for no período de secas (não foi nosso caso), ainda é possível fazer um cruzeiro pelo Li River em barquinho de bambu! 4) Existe também um tour pelas plantações mais famosas da região Dragon Rice Terraces que parecem ser sensacionais – não tivemos oportunidade de fazer porque o tempo não ajudou. Como se tratam de plantações de arroz, a chuva prejudica muito, mesmo com capa de chuva e calçados apropriados.

Li River em Xingping

Li River em Xingping

Pagodas Gemeas Sun and Moon, Guilin

Pagodas gêmeos Sun and Moon, Guilin – olha o chinês bobo querendo sair na foto!

Construções antigas de Xingping

Construções antigas de Xingping

** Xi’An ou Xian

Além do famoso Exército dos Guerreiros de Terracota, Xi’an é uma cidade muito curiosa e uma das mais antigas da China. Sua localização está no limite oriental da Rota da Seda o que motivou o surgimento de uma comunidade muçulmana por influencias internacionais. Pela sua importância dentro do país, o imperador Liu Bang, da dinastia Han, ordenou a construção de um grande muro ao redor da cidade, feito para proteger a região.

Silhueta das Muralhas de Xi'An no pôr do sol

Silhueta das Muralhas de Xi’An no pôr do sol

Hospedagem: Ficamos num hostel dentro da cidade murada, o Han Tang Inn. Era bem limpinho, com um terraço gostoso no último andar e uma cozinha com boas opções de pratos ocidentais e orientais.

Transporte: Chegamos em Xi’An de avião e, dentro cidade, conseguimos fazer quase tudo a pé. Só pegamos ônibus para ir visitar os Guerreiros de Terracota, que ficam há pouco mais de 1 hora do centro. O ônibus sai da estação de trem e custa menos de USD1,50 o trecho, bem mais barato do que fazer com operadora de turismo e ele te deixa na porta!

Metrô de Xi'an - clique para ampliar

Metrô de Xi’an – clique para ampliar

Um pedacinho dos Guerreiros de Terracota. Nenhuma expressão é igual a outra

Um pedacinho dos Guerreiros de Terracota. Nenhuma expressão é igual a outra

O que fizemos: 1) Fomos, claro, ver os Guerreiros de Terracota (USD25/pax), um exército de pedra construído para proteger a tumba do tirano imperador Qin Shi Huang Di depois da sua morte. Eu tinha visto uma parte desta exposição quando foi ao Brasil, mas ali está um número de estátuas bem maior e cada uma construída com uma feição única! Ao final ainda tem um museu super legal, que conta detalhadamente toda a história e o papel de cada guerreiro; 2) outra coisa que gostamos muito foi ter ido até o Quarteirão Muçulmano, que abriga uma mesquita antiquíssima e um comércio bem curioso de comidas e tranqueiras; 3) estando em Xi’an também é legal andar pelas muralhas milenares que foram construídas para proteger a cidade. A vista é linda, especialmente no pôr do sol.

Trabalhadores de uma mesquita, em meio ao quarteirão muçulmano.

Trabalhadores de uma mesquita, em meio ao quarteirão muçulmano

Mercado

O comércio no quarteirão muçulmano é riquíssimo e tem muita coisa gostosa

** Pingyao

Aqui vimos pouquíssimos turistas ocidentais, mas o Ti sempre teve vontade de conhecer depois de ter descoberto no Lonely Planet. Dizem ser uma das cidades antigas mais preservadas da China (e realmente achamos), pois muitas outras perderam suas características, principalmente com a chegada do comunismo. Aqui vimos por toda parte aquelas lanterninhas vermelhas penduradas e um complexo arquitetônico muito tradicional.

Telhados típicos são comuns em todas as contruções de Pingyao

Telhados típicos são comuns em todas as contrições de Pingyao

Hospedagem: Nessa cidade as tradições centenárias das construções se mantém nas hospedagens, o que é legal por um lado, e ruim por outro. Ficamos no Pingyao Harmony Backpacker Guesthouse, indicação do próprio Lonely Planet. O lugar é super característico, com pátio no centro, telhadinhos originais, bem legal. Mas ao mesmo tempo era bem desconfortável. Quartos minúsculos com camas duras, travesseiros horríveis e uma limpeza nada memorável. Faz parte da experiência.

Esse era o pátio da nossa hospedaria!

Esse era o pátio da nossa hospedaria!

Transporte: Chegamos em Pingyao de trem e pegamos um taxi até a cidade murada. Lá dentro tudo se faz a pé, porque é um lugar pequenininho. Veiculo motorizado você só vai precisar se resolver fazer algum dos tours pela região.

Arquitetura marcante da cidade

Arquitetura marcante da cidade

O que fizemos: 1) Pingyao é cheia de templos e monumentos, então achamos legal comprar o Pingyao Turist Ticket (USD20), que já incluía todas essas construções. O mais legal que encontramos foi o templo onde Confucio estudou, que até hoje é usado para formar novos democratas. 2) Nos arredores da cidade existem alguns vilarejos pra visitar, dentre os quais o destaque fica por conta do Mian Shan (Mian Mountain), onde se vai por tour.

** Pequim ou Beijing

Achamos a capital chinesa bem moderna e dizem que a cidade está passando por muitas mudanças desde que sediou as Olimpíadas de 2008. Tem muita coisa legal pra ver aqui, inclusive um dos highlights do país, a Grande Muralha da China.

Grande Muralha da China. Linda até em dia de chuva.

Grande Muralha da China. Linda até em dia de chuva.

Hospedagem: pegamos um Airbnb para as primeiras noites e foi a maior burrada que fizemos. Era um lugar barato, mas no subúrbio da cidade, então levávamos 1h30 pra chegar em qualquer lugar! O único ponto positivo foi ter visto um lado completamente improvável de Beijing e ter uma hostes legitimamente chinesa. Na última noite mudamos pro Dragon King Hostel e a nossa vida melhorou 100%.

Transporte: Beijing é gigante, mas tem um sistema de metrôs e trens excelente que passa pelos principais pontos da cidade. Foi nosso meio de transporte todos os dias. Para ir até as Muralhas, pegamos um metrô até a estação de trem norte de Beijing e dali um trem de uma hora aproximadamente. Só chegue bem cedo, por volta das 8h, pra evitar multidões!

Metrô de Pequim - clique para baixar

Metrô de Pequim – clique para baixar

Um retrato da Cidade Proibida

Um retrato da Cidade Proibida

O que fizemos:

1) Começamos pela Cidade Proibida, construída durante o governo do imperador Yung Lo para abrigar a sua família e súditos. Dizem que ela recebeu esse nome porque era quase impossível a entrada ou saída dali e, qualquer invasor percebido, era morto sem perdão – percebemos também que esse era um imperador com muito rabo preso, então se cercou de todas as formas para que nada acontecesse a ele;

2) Fomos conhecer os hutongs, que foram bairros bem tradicionais de Beijing até a cidade começar a se modernizar (hoje estão em extinção). Lá todo mundo vive numa grande comunidade: as habitações são pequenas, então se cozinha na rua e existe um banheiro comunitário por quarteirão, já que eles não existem dentro das casas!

3) apesar de ser muito concretada, Beijing tem uns parques bem bonitos e resolvemos conhecer o Temple of Heaven. Como o próprio nome diz, é a paz em meio ao caos e vale muito a visita.

4) Por fim, fomos conhecer a Grande Muralha da China. Na verdade, a Grande Muralha são muitas muralhas. Isso mesmo. As mais velhas datam 220 A.C e a mais novinha no século XV, chegando a ter 20 mil km! Badaling é a mais famosa delas por ser pertinho da cidade e estar reformada. Tem até bondinho pra subir. Só que é o caos chegar lá. A chinesada não respeita fila e mesmo chegando cedo na estação de trem, você terá que se espremer e correr – isso mesmo – da plataforma até o trem pra pegar um lugar pra sentar. É uma bizarrice só. Basta pegar o metrô até a estação Xizhimen e pegar o trem pra lá da estação Norte (Beijing Beizhàn). Chegando lá, tudo fica meio abarrotado no primeiro km.

Mas se tiver coragem e disposição, depois disso fica bem mais tranquila. Se quiser uma dica de muralha mais original, o Lonely Planet recomenda a Jiànkòu, pela beleza e por ser mais tranquilo pra chegar. Só que chegar é mais trabalhoso. Se tiver interesse em ir, talvez valha a pena ates fazer tour, mas se quiser ir por conta, você precisa sair de Beijing até Mùtiányù (que tem outro trecho renovado da muralha e lotado de turistas) pelo ônibus 916. Ele parte da estação Dongzhimen em direção a Huáiróu. Saia na estação Mùtiányù e negocie um taxi (1 hora cada perna) até Xizhài.

Último dia em Beijing, visitando o Temple of Heaven

Último dia em Beijing, visitando o Temple of Heaven

Num role pelos hutongs de Beijing

Num rolê pelos hutongs de Beijing



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28 anos, Relações Públicas e "mãe" da Mafalda. Cresceu no interior de SP, viveu 10 anos na capital. Aprendeu a dirigir, trabalhar e se virar. Mas continuou sem gostar de comer tomate com pele, ter as unhas compridas e de ficar sozinha.


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