Vida de Mochileiro: as dores e as delícias

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Eu sempre vi os mochileiros com um certo charme. Invejava o desapego deles de dormir em qualquer lugar, de terem tudo que precisavam dentro de um saco de 11 kg, de não saberem onde estariam daqui uma semana….acho que esse estilo de vida tem muito romantismo.

O que nunca tinha imaginado é que um dia a minha vida também se transformaria assim! E depois de quatro meses e meio mochilando por dois extremos – Europa e América Latina – acho que já senti um pouco das dores e delícias dessa “rotina” e achei bacana compartilhar:

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** As dores

Dormir no busão: Por mais confortável que seja – e na maioria das vezes não é – passar a noite no ônibus é um saco! Principalmente quando isso acontece quase toda semana… rs. Além de não dar pra dormir direito por causa do aperto e das curvas, sempre tem uma surpresa: já pegamos aqueles com ar-condicionado no talo e tivemos que cobrir a cara com capa de chuva pra enganar o frio, já fiquei menstruada e com cólica no meio de uma viagem de 9h – e claro que o remédio estava na mala… Enfim, é ruim, mas é mais comum do que gostaríamos.

Ficar sem banho e sem cama: A gente curte a higiene, mas tem dia que não há o que fazer, o banho não rola…Geralmente acontece quando vamos viajar a noite e não queremos pagar por uma diária extra só pra ter um quarto no hostel até a hora de sair. Então nesses dias temos que ficar matando tempo na rua ou no área útil do hostel, nossas coisas estão todas entulhadas no locker e só o lenço umedecido salva!

Ter um mochilão: Por mais que seja pratico viajar com tudo nas costas, as vezes eu tenho vontade de matar a minha mochila! Ela amassa todas as roupas e é extremamente impossível encontrar o que eu preciso sem ter que tirar tuuudo de dentro. Perco a conta de quantas vezes por semana eu preciso reorganizar a minha.

Rodoviárias: Esperar pelo busão ataca excessivamente a minha ansiedade: geralmente as rodoviárias estão nos pontos mais feios da cidade e são lugares caóticos, cheio de crianças chorando, as pessoas falam mais alto de que o comum, a comida é ruim e eu invariavelmente estou suada e com sono. Além disso, não é a toa que usamos o termo “banheiro de rodoviária” pra descrever qualquer banheiro nojento, sem tranca e fedido. E eles são assim nas rodoviárias do mundo todo!!!

Party Hostel: Esse tópico diz muito sobre a minha idade mental!! hahaha. Mas eu realmente não gosto desses hostels balada, cheios de gringos afetados e que ouvem musica alta no lounge, enquanto enchem a cara de cerveja ou de maconha. Me dá bode. Ainda mais porque tentamos acordar cedo ao máximo pra curtir o dia ao máximo e os caras acordam 2 da tarde de ressaca. Mas por isso eu e o Ti evitamos ao invés de ficarmos metendo o pau.

Apertar a grana: Aqui o meu calo aperta!! Eu que sempre fui bem gastadeira agora passo vontade de montão. Mas também estou aprendendo a me contentar com menos. Dia desses fiquei feliz da vida só porque o Ti me deixou comprar um café gourmet (ele é o homem das finanças, com toda razão).

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** As delicias

Se surpreender: As vezes não dá tempo de ler sobre algum destino e acabamos indo na sorte. Nem sempre dá certo, mas já calhamos de encontrar lugares incríveis, como a Isla de Bastimentos, no Panamá, onde estamos agora. Sem esperar muito, achamos uma cabaninha bem fofa de frente pro mar e estamos super nos sentindo em casa e pensando em esticar nossa estadia.

Conviver com as pessoas locais: Por mais bobo que pareça, não é em todo lugar que sentimos abertura pra conhecer locais. Mas quando isso rola é muito bom, porque realmente tenho a sensação de que estou vivendo melhor o lugar. Em Cartagena, por exemplo, nós sentávamos numa pracinha onde turistas e locais estavam todos misturados numa boa. E no hostel uma das funcionarias me ensinou a cozinhar um prato típico sensacional – que aumentou meu repertório na cozinha!

Superar dificuldades: Eu tenho a sensação de que quando o “bicho pega”  tenho menos recursos pra lidar com os problemas do que no dia-a-dia “normal”. Não tem família nem amigos por perto, não tem psicóloga e às vezes não tem nem pra onde correr. Então estou tendo que aprender a me virar com menos…Por isso é sempre gratificante quando consigo superar alguma coisa que vem me deixando noiada ou triste. Meu caderninho vermelho, minhas orações e umas técnicas de respiração tem me ensinado a depender mais de mim mesma.

Fazer tudo no nosso tempo: Isso é uma das maiores delicias da vida de mochileiro! Não ter hora pra acordar, pra almoçar, tomar cerveja o dia da semana que quiser…como isso ajuda a dar mais leveza pra vida!! A gente tem compromissos com a viagem, é claro. Viajamos com algumas metas e queremos cumprir a maioria delas. Mas poder fazer isso no nosso tempo não tem comparação!

Conhecer gente: Esse tópico, é claro, não poderia faltar!! A gente tem cruzado com muita gente bacana na viagem. As vezes não dá nem tempo de termos convivência suficiente pra virarmos amigos, mas algumas pessoas marcam mesmo assim pelas histórias de vida. Um norueguês que está viajando o mundo de moto, por exemplo, contou pra gente como foi a sua passagem no Irã, onde os mochileiros são tão raros que os locais  os veem como um sinal de “boa sorte” – e ele foi ajudado de forma que nunca tinha sido em qualquer lugar antes. E no Peru conhecemos um chef que aprendeu a cozinhar só assistindo vídeos na internet e isso já tinha levado ele a morar em mais de quatro países.

Enfim, viajar tem de tudo – mas até agora tenho achado as dores mais passageiras e as delicias temporárias :)



About

28 anos, Relações Públicas e "mãe" da Mafalda. Cresceu no interior de SP, viveu 10 anos na capital. Aprendeu a dirigir, trabalhar e se virar. Mas continuou sem gostar de comer tomate com pele, ter as unhas compridas e de ficar sozinha.


Comments

'Vida de Mochileiro: as dores e as delícias' have 1 comment

  1. 27 de março de 2015 @ 14:41 Glauber

    Pô Julia, só o café, nem um biscoito pra acompanhar? O Tiago é pão duro mesmo! rsrsrsrsrs

    E vendo o post do Equador, já decidi pra onde quero ir este ano, agora só falta convencer a Taci. Também tô esperando o post sobre a Ilha de Bastimentos, parece que o lugar é bem legal, e quem dá pra gente dar uma esticada do Equador pra lá.

    Un beso para ti y un abrazo para Tiago!

    Reply


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