Vietnã Capa

Vietnã – A jóia do sudeste asiático

FacebookTwitterGoogle+Compartilhar

Desde pequeno meu irmão assistia filmes de guerra e me puxava pra ver com ele alguns como Full Metal Jacket, Platoon, e Apocalypse Now, depois sempre tinha pesadelos sobre a Guerra do Vietnã. Cresci e vieram as aulas de história, contando sobre a Guerra Fria e a luta dos EEUU contra o comunismo, onde novamente estava o Vietnã.

Mesmo com todo esse repertório, ainda era difícil ter uma opinião sobre o país, porque a mídia sempre puxa sardinha pra um lado da história. E com tanta informação cruzada sobre a guerra, o que realmente sabemos sobre o Vietnã além dos filmes que assistimos?

Muitos anos depois e finalmente pude visitar esse país icônico, que me deu novas perspectivas, me levando até a sala de televisão com meu irmão.

Vietnã 5
Chegamos em Hanoi após muito tempo na China. A Capital do Vietnã é caótica. As motos são o principal meio de transporte e estão por toda a parte, sendo super comum ver 5 ocupantes (todos sem capacete) em uma única motocicleta . O comércio invade as calçadas e toma conta de cada centímetro do asfalto, por isso atravessar a rua é uma aventura! Os prédios têm influência da arquitetura francesa, mas são velhos e cheios de “gatos” nos fios elétricos… só que, ao contrário do que se imagina, é super interessante.
O caos é quase organizado. E mesmo sendo uma capital, vimos por todos os lados pessoas usando roupas típicas, chapéus de palha para se protegerem do sol e todo aquele sabor local que se espera quando se aventura por um país exótico como o Vietnã.
Vai um corte de cabelo?

Vai um corte de cabelo?

Vietnã 3

Moto Boy fazendo um delivery

Moto Boy fazendo um delivery

O tour mais famoso aqui é ir pra Halong Bay, uma baía cheia de lime stones com um cenário de tirar o fôlego, onde passamos a noite num barco. Apesar de termos conseguido uma boa infra, imediatamente sentimos uma distância quando comparamos a outros países asiáticos, como a Tailândia. O Vietnã ainda está começando a se organizar pra receber o turista e, em alguns aspectos, é meio chulo – a má preservação da baía é um exemplo disso. Enquanto estivemos no barco, vimos a água sujinha e cavernas infestadas de gente fumando e cascatas artificiais… Mas tirando isso, o saldo pra gente foi positivo no final. Nada como beber uma cervejinha vendo o por-do-sol nesta paisagem. É único.
Halong Bay

Halong Bay

 usar c
Depois de Halong, seguimos pela costa até a tradicional e praiana Hoi An e chegamos em Ho Chi Minh (antiga Saigon). Esta última já com muito mais com cara de cidade que Hanoi. Lá, entre tantas coisas, visitamos museus e fizemos tours, especialmente com foco na Guerra do Vietnã.
Mas uma das coisas mais interessantes foi perceber que Vietnã acolhe todo tipo de viajantes. No meio do caminho conhecemos gente que estava lá só pra fazer tours organizados – desses que te pegam e te levam ao hotel -, até pessoas compraram uma moto usada pra dirigir do sul até o norte e depois vendem a motoca no final. As perspectivas são diferentes, pois obviamente os motoqueiros viram um Vietnã com poucos ou nenhum turista, uma parte do país sem parasitas e com a cultura intacta.
Mercado em Ho Chi Minh

Mercado em Ho Chi Minh

Entre tours, conversas e visitas à museus, pudemos ver o Vietnã como ele realmente é. Sem viés midiático algum. Onde ele se separa dos filmes de guerra nas nossas memórias mais comuns. Mas ainda assim, como disse antes, é impossível separar o presente do Vietnã ao passado da Guerra, razão que explica o fato do país ser tão diferente da China e Tailândia, por exemplo, e por ter uma cultura tão forte.
Julinha usando chapéu típico

Julinha usando chapéu típico

A história pra entender o país
O Vietnã sofreu com a dominação dos franceses, pois foram colônia. Mesmo depois de conquistarem sua independência, continuaram sofrendo pressões externas de nações que queriam o controle da Indochina. Foi tanto conflito que uma guerra civil eclodiu entre o norte comunista e o sul capitalista. Com a Guerra Fria bombando, Rússia fornecia armas ao norte enquanto os EEUU enviavam tropas ao Sul, fazendo com que a “Guerra do Vietnã” como a conhecemos se iniciasse. O curioso é que lá a chamam de “Guerra Americana”, porque eles não tinham nada que ir cheirar por lá. Depois de mais de 30 anos de luta, veio o embargo econômico, o mesmo aplicado em Cuba, afundando o país na pobreza por mais de 20 anos. Ou seja, somente em 93 é que o país deu seus primeiros passos pra se abrir novamente o que preservou sua cultura de influencias externas.
Ho Chi Minh - líder comunista vietnamita

Ho Chi Minh – líder comunista vietnamita

Aprendemos algumas coisas sobre a religião que também foram bem legais. Por exemplo, os funcionários do governo não podem rezar pra ninguém, eles devem adorar o Estado Comunista, mas o mesmo não se estende pro resto da população. Além do budismo – muito forte em todo sudeste asiático – descobrimos religiões que nunca tínhamos ouvido falar. É comum, por exemplo, ver jazigos em meio aos arrozais. A crença é que os mortos guardam a terra para os vivos, que levam arroz para o outro mundo. Já os vivos, por sua vez, não podem vender a terra, ou estariam vendendo seus avós, país, mães, etc.
E além de adorar Buda, o próprio Estado e seus antepassados, uma curiosa religião na província do sul chamou nossa atenção: o Caodai. Ela foi criada em 1926 e mistura o confucionismo, hinduísmo, cristianismo e budismo. Tivemos a oportunidade de ver uma das cerimônias e foi muito legal. Se você fizer um dos tours para os túneis com certeza vai ter a oportunidade de passar por lá.
Religião Caodai

Religião Caodai

Já a culinária pode ser bem triste para algumas pessoas, mas foi interessante pra nós. Quase não existe glúten na comida, pois a base da alimentação vem do arroz e das carnes (talvez por isso eles sejam tão magrinhos). Rolinhos primavera salvaram a vida dos vegetarianos aqui! Matamos também as saudades do café, que está por toda a parte e se apresenta das mais diversas formas. Os mais comuns, além do tradicional expresso, são o café gelado, um café com grãos extraídos de fezes de Civet, e o Cà Phe Trung – café com gema de ovo batido (eca).
Hoje eu escrevo esse post de volta no sofá de casa assistindo aos filmes de guerra com meu irmão. Não vejo mais os vietcongues matando americanos, drogas ou prostituição. Hoje vejo um povo valente, alegre e educado. Rico em belezas naturais, tradições, crenças, cheiros e sabores. A “jóia do sudeste asiático”, como era chamada na época da guerra, volta a brilhar intensa e com um sorriso tímido no rosto.
usar


About

O Tiago Moreira tem 34 - Nerd, ele adora punk rock, o Corinthians e a sua buldogue Mafalda. Cresceu em Tremembé, mas nasceu pro mundo. Adora lasanha e é vegetariano. Depois de 10 anos em São Paulo, decidiu arejar um pouco a cabeça e viajar!


Comments

'Vietnã – A jóia do sudeste asiático' have no comments

Be the first to comment this post!

Would you like to share your thoughts?

Your email address will not be published.

Images are for demo purposes only and are properties of their respective owners. Old Paper by ThunderThemes.net